O homem precisa da eternidade


 04/11/2018 - Escrito para o Correio da Paraíba

A cada 02 de novembro celebramos o Dia de Finados. Uma data marcada por duas realidades aparentemente opostas: choramos de saudades pelos mortos que amamos, ao tempo que, também, como cristãos, carregamos a convicção da bem aventurança do céu. Ao rezarmos pelos mortos, ocupamo-nos não somente da saudade destes, mas pedimos a Deus por eles, para que possam alcançar o convívio do céu. 

A Igreja recorda-nos que a humanidade sempre levou em consideração a realidade dos mortos. Mas sabemos que as nossas sociedades contemporâneas tendem a desconsiderar o inadiável pensamento sobre a morte, mesmo assim, esta atinge a todos, em qualquer tempo e circunstância.

Para nós, cristãos, que professamos o dom da vida eterna, a morte é um mistério! Neste, reconhecemos a grande esperança da vida futura, o homem e a mulher precisam da eternidade. A vida humana não termina aqui, Deus nos cumulou com a vida de Seu próprio Filho, morto e ressuscitado, e nos fez participantes dessa vida nova: “Se reduzirmos o homem àquele pouco que ele percebe empiricamente, a vida perde seu sentido mais profundo. O homem precisa da eternidade, pois todas as outras esperanças são muito breves e limitadas", disse Bento XVI.

Parece que a dificuldade que temos em aceitar a dramática chegada da morte está em nosso apego às coisas terrenas. O pecado doutrina-nos para o apego demasiado a essa vida, acostumamo-nos a colocar nossa confiança nas coisas passageiras. Temos medo do nada, de uma vida que não conhecemos por completo. Mas não devemos absolutizar esse medo do nada, pois sabemos que a morte não matou o amor na cruz, e é nesse amor que seremos julgados; não devemos apavorar-nos com a possibilidade da morte, mas devemos alimentar nossa confiança em Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá” (Jo 11,25).

Neste Dia de Finados, Deus nos dá a possibilidade de rezar pelos mortos, de lembrar daqueles que marcaram nossa convivência como o ardor da caridade. Que comunhão bonita a Igreja nos faz fazer neste dia. Tudo isto acontece porque todos nós tendemos para a eternidade, não nascemos para fincar definitivamente nossos pés na terra, mas para morar definitivamente no céu, morar com Deus e com os irmãos que Ele nos deu aqui na terra! Unamo-nos à Santíssima Virgem Maria, que nos deu a esperança do céu na carne de Jesus, para que não desanimemos ante às turbulências e contrariedades, própria da vida entre os homens.


Dom Manoel Delson
Arcebispo da Paraíba

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